quinta-feira, 27 de junho de 2013

Aluga-se casa para retiro

Casa para alugar em Extrema, Minas Gerais a 100km de São Paulo.

Situada em um espaço de reserva florestal com nascentes de água e natureza pura este é o local ideal para se fazer um retiro de meditação, estudar, desentoxicar-se, contemplar e se purificar.

A casa é toda feita em madeira em estilo nórdico rústico com 2 quartos (2 camas de casal e 1 de solteiro), 2 banheiros, 1 sala grande, 1 sala de meditação, cozinha, forno a lenha, lareira e 3 terraços. 
Cercada de bambuzais, jabuticabeiras e muita natureza e silêncio.

Estrada: Fernão Dias até Extrema e mais 20 minutos de estrada de terra
 















segunda-feira, 18 de março de 2013

Aulas de Kundalini Yoga

Aulas semanais de Kundalini Yoga

Mude completamente seu estado mental, emocional e físico em poucos minutos,
Recupere sua energia vital, sua inspiração, serenidade e sabedoria.
Volte para o seu centro, recupere e fixe sua paz interior.

Aulas guiadas por Rebecca S. Mattos, formada em Kundalini Yoga pela 3HO (Happy, Healthy, Holy) em São Paulo e Barcelona. Pratica e ensina desde 1998. Foi professora na escola Golden Temple de Barcelona onde também abriu a própria escola Seed. Desde então ensina em domicílio em São Paulo, e agora abre seu espaço caseiro para esta   tecnologia milenar.
 

Idade: 15-75 anos

Terças-feiras 19-20h
(outros horários e dias disponíveis para grupos de no mínimo 2 pessoas, 
entre em contato se tiver um grupo e preferência por outros horários/dias. 
Tudo é possível, mesmo em SP!)

Local: R. Américo dos Santos, 9
V. Madalena

R$ 150/mês (4 aulas)

Antes de vir, ligue: 98283-1146


E ganhe um suco a base de superfoods! (maca, cacao, óleo de cânhamo, goji berries, ashwaganda etc) ou um chá milagroso do Rô!
ao final de cada aula.

                                       Juntos podemos mudar nossas vidas individuais

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Sonhar com negatividades gera karma negativo?



O que karma realizado? É aquilo que a mente pensa ou aquilo que, tendo sido pensado pela mente, é logo realizado pelo corpo ou pela palavra.

Karma acumulado é qualquer ação com exceção destes dez tipos:

(1) o que é feito em um sonho

(2) o que é feito sem saber

(3) o que não é feito deliberadamente

(4) o que não é feito com intensidade ou continuamente

(5) o que é feito de maneira equivocada

(6) o que é feito devido a uma falha da memória

(7) o que é feito involuntariamente

(8) aquilo que tem uma natureza indeterminada

(9) o que foi eliminado através do arrependimento

(10) O que foi eliminado através de um antídoto.

Portanto, [karma acumulado] é qualquer ato que não seja destes dez tipos...Um ato [de tirar a vida] que é acumulado mas não realizado ocorre quando se há considerado e refletido por muito tempo a possibilidade de tirar a vida de uma certa pessoa, mas a vida [deste ser] não foi tirada.”

(Liberation in our Hands, p. 221, footnote 74), Arte de Apachennov.

domingo, 14 de agosto de 2011

Malas, que tipo, e como usar



Differentes materias e seus resultados:

Conchas, terra ou sementes: usado para realizar práticas ou ações pacíficas.

Ouro: para expandir o karma positivo.

Coral vermelho: práticas poderosas.

Aço ou turquesa: atividades e práticas iradas.

Pedras Raksha: práticas iradas

Sementes Bodhi: realiza todos os dharmas.

Madeira da árvore Bodhi: realiza karmas pacíficos.

Pedras: bom para práticas expansivas.

Com elementos medicinais: práticas iradas.

Jóias variadas: bom para qualquer prática (mas deve se saber quais combinações fazer, se não a prática pode ter um resultado não positivo).

Benefícios derivados dos diferentes tipos de malas:

Ferro ou aço: multiplica a virtude acumulada com cada recitação de modo geral.

Cobre: multiplica cada recitação por 4.

Raksha: multiplica cada recitação por 20 milhões.

Pérola:100 milhões.

Rubi: 100 milhões.

Prata: 100 mil.

Semente de Bodhi: manifesta benefícios ilimitados para qualquer tipo de prática (pacífica, expansiva, poderosa ou irada).

Como tratá-lo:

Seu mala deve ser abençoado por uma/a Lama e continuamente energizado por você, especialmente antes de recitar para gerar verdadeiro benefício.

É bom limpar a boca, as mãos e o mala antes de usar (pode se passar óleo de sândalo no mala por exemplo).

Segure o mala com a mão esquerda, gere-se como a deidade, segure a conta do Guru (a maior, ou com o fio) verticalmente no centro. Medite na vacuidade recitando o mantra: OM SWABAVA SHUDDO SARVA DHARMA SWABAVA SHUDDO HAM, que transforma e purifica as percepções impuras.

(Lembre-se que duas das meditações mais importante na prática do Alto Yoga Tantra são:

A CLARA APARÊNCIA – ver a divindade, mandala (mesmo que seja somente a mão, olho, coroa) claramente, ou seja, com clareza, profundidade de luz e vida.

O ORGULHO DIVINO – Separado do ego mundano).

Seu mala representa a deidade e sua palavra.

O dedão é o gancho vajra que engancha a iluminação, as deidades e bênçãos.

Se seu mala foi abençoado várias vezes deve estar sempre perto de seu corpo.

Não fique exibindo seu mala aos outros, não deixem que outros o segurem.

Segure seu mala somente quando estiver recitando, não brinque com ele.

Mantenha uma relação de humildade com o mala, não deixe-o no chão.

Malas incompletos ou roubados não devem ser usados.

Malas oferecidos a deidades como ornamentos não devem ser tomados de volta.

Malas com mais ou menos de 108 contas não servem.

Malas queimados ou roídos por animais devem ser trocados.

Estes ensinamentos foram dados por Padmasambhava não para que gerássemos mais apego pelo mala, e não o mostrássemos aos outros, mas porque para praticantes do Vajrayana um mala consagrado é necessário para recitações vajra, que resultam em bênçãos, poderes espirituais e realizações ordinárias, extraordinárias e supremas. Quer mais?



quinta-feira, 1 de julho de 2010

Os oito dharmas mundanos


Os 8 dharmas mundanos que nos mantém presos à existência cíclica:

1.Crítica
2.Elogio
3.Perda
4.Ganho
5.Desconhecimento
6.Fama
7.Sofrimento
8.Felicidade

Os dharmas mundanos não são a crítica, elogio, ganho, perda etc em si,mas como uma mente samsárica se relaciona com tais acontecimentos. O fato é que buscamos conscientemente ou inconscientemente elogios, ganhar mais (do que seja), fama e felicidade, e repudiamos ao máximo seus opostos porque nos fazem sofrer. Assim geramos uma série infinita de ações, pensamentos e palavras para de algum modo conseguir o que queremos. Muitas vezes estas ações são puramente auto-centradas, conçentradas no ‘meu’ bem estar. O outro lado é o sofrimento ou a irritação com seus opostos.
Este ensinamento não indica que temos de desistir de tudo, e nunca mais buscar a felicidade, mas nos aponta a nossa própria mente e como esta é fraca em relação ao verdadeiro conhecimento da realidade de nossa identidade. Nos indica uma falha por assim dizer, e isto nos libera, porque sabemos onde esta o defeito da máquina.
Através dos 8 dharmas mundanos balançamos de um lado para outro e basta uma situação mudar, como do ganho para a perda, ou da perda para o ganho, que nos transformamos internamente, como crianças. Dependentes emocionalmente de situações externas mundanas que trazem felicidade ou sofrimento apenas nesta vida, reagimos constantemente. Encarregamos os phenomenos externos de nos fazerem felizes, coisa que eles não podem fazer, pois são impermanentes, e um dia mudam, e nós chocados, como se a mudança houvesse vindo do ‘nada’, sofremos. Agimos como seres DEPENDENTES do mundo exterior, mas somos INTERDEPENDENTES, é uma troca constante. Nada se fixa, jamais.
Buddha percebeu isto sobre a mente. O segredo é observar estas mentes de felicidade e sofrimento enquanto surgem, e tentar observar o objeto que gera estas sensações. Estando atent@s a esta flutuação, este agarramento forte ao desejo de se desfazer do sofrimento ou de manter a felicidade diminui. Porque diminui? Porque ao observar, guiar a mente, ela não foge descontroladamente por caminhos habituais, como vem fazendo a milhares de vidas. Ao trabalhar, estudar, tocar um instrumento colocamos atenção plena e fazemos o que fazemos muito melhor, sem erros. Mas quem observa a mente que observa algo? Um truque é colocar uma mente de plantão observando nossa mente e quando este sentinela se morfar com nossa primeira mente, colocamos outra mente no lugar. Tentar isto durante 2 minutos tem um efeito interessante.

É a velha pergunta, guiamos nossa mente ou somos guiados por ela? Pois, de acordo Lama Michel a verdadeira liberdade não é fazer o queremos fazer, mas ser quem queremos ser.
Isto é incrível.

domingo, 11 de abril de 2010

A mente, o balde e o navio



No grande commentario Madhyamakavatara, Chandrakirti explica poeticamente que a vida dos seres sencientes (nossa vida e a de todos os seres com mente) é como um balde subindo e descendo dentro de um poço sem parar. Pelo peso de nossas ações negativas descemos rapidamente e sem esforço a estados mentais inferiores e em ultimo caso a próximas vidas inferiores. O difícil é subir, requer esforço, não vem fácil e o balde está pesado. Ou seja, karma negativo (ações negativas) vem sem esforço, é simples e natural, é espontâneo e acumulamos muito dele momento após momento com ações de corpo, de palavra e de mente. Como Einstein já dizia TUDO gera um resultado, nenhuma ação por mais aparentemente insignificante termina em si mesma, e no caso, ações geradas por nós mesmos geram resultados em nossa própria mente, em nossa vida ou no que nos afeta diretamente.

Segundo Buddha Shakyamuni a potência do karma cresce com o tempo se não for examinada e purificada através do sincero arrependimento e voto de não mais repetir tal ação. Outra característica do karma é sua não linearidade, ou seja, o que é plantando hoje não necessariamente brota hoje, pode brotar daqui dez anos, dez vidas, meia hora, cinquenta anos, depende quando as condições necessárias para tal ação negativa (ou positiva) se aglomerarem. Por isso o choque quando ocorre algo negativo com nós, não sabemos de onde vem, o porque e nem achamos por nada neste mundo que geramos as condições para tal acontecimento nós mesmos, no passado distante ou não tão distante. Depois do choque então vem a busca do culpado e infelizmente durante este processo de colheita de karma negativo ou de sofrimento, geramos mais ações negativas através da raiva. E assim o ciclo se perpetua, o nosso balde vai ficando pesado.

Primeiro então devemos refletir sobre nossa condição dentro deste ciclo, com sinceridade, analisar, pensar, nos vermos com clareza na situação de desconforto na qual estamos e gerar compaixão por nós mesmos, querer verdadeiramente sair deste ciclo de ações e reações negativas. O próximo passo é mover esta compreensão a todos os outro seres, pessoas, animais, seres que não enxergamos etc. (meu amigo brinca que isto inclui motoboys, o chefe...). Ter compaixão por si e compaixão por outros são como os dois lados de uma mão. Inseparáveis. Um não vem sem o outro. Cria um bem estar.

Mas, como temos mais tendência a abraçar o negativo e menos familiaridade com mentes positivas (verdadeiro amor, compaixão, altruismo, serenidade etc), devemos criar o habito de uma prática correta que nos direcione pouco a pouco na direção oposta. Como Ven. Lama Michel diz, a mente é como um grande navio, para mudar de direção requer muito esforço e é lento, mas uma hora vai!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Retiro


Acho que foi Lama Yeshe que disse que ´um retiro é tão duro quanto você mesmo`. Existem muitos livros e textos sobre como fazer retiro e como superar as dificuldades de um retiro mas o melhor conselho que já ouvi veio de Lama Gangchen que simplesmente disse “relaxe”. Esta palavra pequena pode ajudar muito durante 11 horas de meditação diárias. Outro pensamento que ajuda, é sentir e pensar sobre o fato de que é o retiro que faz você, e não você que faz o retiro.
Cristine Skarda, uma monja, scientista e filósofa diz sobre fazer retiro: “Esta é a coisa mais importante que você já fez. É a coisa mais importante que você pode fazer. Nunca desista.” Durante um retiro intensivo e tradicional é possível colher alguns frutos preciosos e guardá-los no seu campo interior para que algum dia amadureçam e sejam de utilidade para outros. Uma Lama Americana que não me lembro o nome fez um retiro de 3 anos e disse que o que mais aprendeu foi ser humilde perante os grandes praticantes realizados do passado e do presente, depois que constatou o verdadeiro estado aflitivo de sua própria mente durante o longo retiro. Cristine Skarda conclui que durante o retiro “você não esta tentando fugir do mundo, mas se preparando para abraçá-lo completamente”.

sexta-feira, 9 de outubro de 2009

Como o Karma funciona


Chandrakirti, que escreveu o suplemento para o Caminho do Meio explica algo muito interessante:

Que não existe uma mente que seja a base-de-tudo.

Os Yogacarins acreditam que esta mente existe e que ela de fato ´guarda` as sementes de todas nossas ações, nossos karmas. Como uma espécie de cofre, fixo e imutável. A lógica dos Yogacarins segue que para uma ação ter um resultado, deve haver uma mente constante que conecte solidamente uma ação a seu resultado. Como um barbante amarrado ao começo de algo e que termina no fim de algo, uma cola, uma ´mente base-de-tudo`. Caso contrário o resultado não aconteceria, especialmente em casos onde o resultado de uma ação ocorre anos ou até vidas depois do karma inicial.

Chandrakirti diz: uma semente karmica se desintegra no momento em que é acumulada e esta desintegração gera outra desintegração e assim por diante até o efeito maduro e final daquela ação (karma) inicial ser produzido. (momento para pensar).
Como é este processo?
1-primeiro, uma ação virtuosa é feita (isto é o karma, positivo no caso)
2-esta ação se desintegra deixando uma semente karmica na mente.
3-a semente em sí se desintegra e abre uma sequência de desintegrações.
4-que são os efeitos da ação virtuosa mas não o efeito primário, principal.
5-esta sequência continua até que o efeito primário é produzido onde então o efeito é exhaurido.

Por exemplo, a ação primária de ajudar a velinha a atravessar a rua gera uma série de causas e efeitos que terminam no resultado final de ser ajudado de alguma maneira tambem.

Ou seja, não é que a ação (karma) principal fica guardado sem nunca se modificar até o momento de gerar um resultado. O karma vai se transformando de acordo com a lei de causa e efeito. Do mesmo jeito que um feto vai se transformando, se desintegrando até a morte desde o momento da concepção. A morte é o resultado do nascer. O efeito é o resultado final da causa.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

a montanha

By sitting very still –
The mountain comes to you.


(Geshe Michael Roach-durante seu retiro de 3 anos terminado em 2005)

quinta-feira, 19 de março de 2009

Karuna

A origem da palavra Compaixão vem do Latim, Compati, que quer dizer mais ou menos "sofrer junto" ou ter pena. No Budismo, compaixão baseada na pena é parecida com compaixão baseada no apego, é algo instável e desequilibrado. A verdadeira compaixão (ou karuna) é baseada em um sentimento de equanimidade por todos os seres e se trata de uma qualidade mental que não gosta e não quer que os outros sofram. A compaixão é a aceitação clara de que todos somos iguais no sentido de estarmos dentro do samsara e por isso todos merecem o nosso amor e cuidados independentemente se nos fizeram mal ou não. A compaixão é abrangente, baseada na razão e livre do apego. A compaixão é gerada através da correta realização da natureza impermanente da realidade, da compreensão do sofrimento e da vacuidade.
A compaixão demarca limites dentro da sociedade, alguém pode se tornar muito rico vendendo armas ou drogas e de um ponto estritamente financeiro estão corretos, mas causam danos enormes a milhares de pessoas e muito mais a si próprios. Com uma apreciação maior do valor humano, todas as atividades se tornam positivas. A compaixão é a base da ética do Budismo Mahayana e o portal de entrada do Bodhisattva. A compaixão é cultivada pouco a pouco junto com a sabedoria, não é fácil, não é óbvia, não nasce de um dia para outro mas pode ser treinada minuto a minuto.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Lam rim

"Uma afliçao mental é definida como um fenomeno que ao surgir nos perturba"
(Asanga)

A experiência de insatisfação da existencia cíclica tem suas causas - as aflições (atitudes perturbadoras e emoções negativas) em nossa mente. Pense no exemplo das seguintes aflições em sua vida:

1.apego: quando exageramos ou projetamos as qualidades boas de um objeto ou pessoa e nos apegamos a ele/ela.
2.raiva: quando exageramos ou projetamos as qualidades ruins de um objeto ou pessoa e desejamos ficar longes ou até mesmo machucar o objeto.
3.orgulho: um senso inflado de nós mesmos que nos faz sentir melhor ou pior que os outros.
4.ignorância: falta de clareza para com a natureza das coisas e sobre a natureza da realidade, sobre o karma e seus efeitos.
5.dúvida errada: duvidas tendendo a conclusões incorretas.
6.pontos de vista distorcidos: concepções erradas, que são:

-Acreditar que o ´eu` e o ´meu` existem por si só, independentes de causa e efeito.
-Acreditar no eternalismo (tudo, inclusive eu vou existir para sempre sem mudar) ou no niilismo (depois da morte não existe nada, eu vim do nada e vou para o nada).
-pontos de vista distorcidos: negar a existência de causa e efeito, renascimentos, da iluminação e das três jóias.
-manter pontos de vista distorcidos como supremos: pensar que as visões acima são as melhores
-manter a má ética e forma de conduta como suprema: pensar que açoes não éticas são éticas e que práticas incorretas o levarão a illuminaçao.

Para cada uma das aflições mentais considere:

-Como ela lhe causa problemas agora através da interpretação não realista de eventos na sua vida?
-Como ela lhe traz futuro sofrimento gerando as causas ou o karma negativo?
-Que antídotos você pode usar quando surgirem em sua mente?
-Qual é a aflição mais forte em você? Tenha então uma aspiração forte de estar alerta para neutraliza-la quando surgir.

Conclusão:
Vendo o estrago que tais aflições mentais causam em sua vida, desenvolva a determinação de estar consciente do surgir delas e aprenda a praticar os antídotos. Se for raiva, pratique a paciência, se for orgulho pratique a humildade, se for ignorância, vá trás de sabedoria e assim por diante. O lado positivo temos que aprender, o lado negativo já vem bem instalado dentro de nosso computador interior, não precisamos nos esforçar para ter raiva afinal...

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Lenchak

Lenchak em Tibetano quer dizer débito karmico.
Quando temos relacionamentos difíceis, de muito apego e expectativa, mas ao mesmo tempo amor e carinho pela pessoa, e é tudo muito complexo e nada simples e claro. Isto é Lenchak.
Existe um tranco emocional quando vemos ou pensamos na pessoa, normalmente alguém próximo, filhos, pais, amigos íntimos, chefes - todas as relações onde existe muita expectativa e demandas silenciosas que nos fazem sentir responsáveis pela solidão e dor física e emocional do outro.
Len quer dizer: ocorencia e chak: apego ou atraçao, ou a sensação de que algo nos puxa para alguém, normalmente de uma maneira insalubre. Pode ser entendido como resíduo que nos visita de uma dinâmica antiga, de relacionamentos antigos, de uma vida passada. Uma dinâmica que agora é forte devido a familiarização e ao habito.

Nos infernos Budistas, dizem que o ser ouve a voz de alguém conhecido e imediatamente vai nessa direçao, encontrando criaturas horrendas e muita dor física e mental. Isto é interessante porque com aqueles com quem temos Lenchak, sentimos um dever de ´ir`, como se estivéssemos sendo puxados, algo fora de nosso controle ou senso de resistência. Não queremos ir, mas TEMOS que ir. Nosso nome é chamado e saltamos imediatamente para servir-los. Esta não é uma decisão consciente -nem uma decisão alegre- mas mais como ser arrastado por um vento muito forte. Nossa reação, seja ela de raiva, inveja, apego ou o que for, serve somente para fortalecer a dinâmica. Pessoas tem feito muito ´em nome do amor`. Mas se isto é amor, não é uma forma saudável de amor.

No Tibet dizem que existe um lago, que durante uma lua cheia específica de cada ano, focas oferecem peixes com suas bocas para corujas que ficam nas árvores acima do lago, esperando comer. Não existe razão especial para as focas fazerem isto, somente que as corujas o esperam. A historia diz que as focas não ganham nada com isso e as corujas nunca estão satisfeitas. Como não existe razão óbvia por esta dinâmica, os Tibetanos dizem, "deve ser Lenchak".

A dinâmica Lenchak tem dois lados, o lado da foca e o da coruja. Se somos a foca, sentimos uma responsabilidade silenciosa emocional pela mente e bem-estar de outra pessoa. Somos puxados a ela, como se fosse nosso dono. É uma experiência forte e visceral, e temos uma reação física imediata. O telefone toca, vemos quem é, “é a coruja”. Temos que atender e somos atacados por uma onda de ansiedade e repulsão, como se estivéssemos sendo atacados por nosso sistema nervoso. Nos preparamos para um problema ou um ´download` emocional forte. Por mais que desejamos nos desconectar desta pessoa não conseguimos nos libertar, somos capturados. Checkmate!

Isto não é o caso, na verdade somos presos por nosso próprio apego, culpa e inabilidade de resistir a dor que vem de se sentir indevidamente responsável por ele/ela. Por um lado, não conseguimos ver a coruja se debater, por outro não conseguimos soltar. Esta dinâmica nos puxa para baixo, nos faz perder o brilho.cEnquanto isso a coruja nunca esta satisfeita, não importa quantos peixes a foca tenta alimentar a ela.

Claro que quando estamos presos na síndrome da coruja, não vemos as coisas desta maneira. Nos sentimos negligenciados, isolados e fracos. Isto porque estamos dependendo de alguém para manejar nossos medos. Temos muitas demandas não ditas, e quando a expressamos, é de modo carente e necessitado. A síndrome da coruja nos torna infantil. Perdemos nossa confiança, achamos que não podemos fazer as coisas por nós mesmos, não sabemos lidar com nossa mente e emoções. Embora a coruja pareça fraca e dependente, é ela quem manda. É um pouco manipuladora, não quer limpar a própria sujeira. É uma atitude privilegiada pois ela tem a foca.

A ironia desta dinâmica, é que na maioria dos casos, quanto mais peixes a foca oferece, mais a coruja quer e mais insatisfeita esta. Este tipo de dependência e expectativa leva a cenas muito feias. É verdade que a foca pode temporariamente saciar a coruja, mas um respeito mutuo nunca nasce deste tipo de arranjo.

A diferença entre amor e Lenchak deve ser bem analisada. Amor e carinho pelo outro aquece o coração e nos torna generosos. Sentimentos de amor nascem naturalmente, não são o produto de pressões e demandas. A dinâmica Lenchak causa apego, insegurança e ressentimento.
Grandes praticantes sabem disto muito bem. Conhecem os buracos de Lenchak e protegem ferozmente sua independência. Trabalham de maneira inteligente com outros porque sabem que seja com seus pais, família ou quem seja, se caírem prezas desta dinâmica, perderão seu tempo (literalmente) e sua paz mental. Principalmente porque é uma relação baseada na neurose. Lenchak não lhe permite ajudar os outros e lhe arrasta para uma ´outra` vida.

(Baseado no livro "Light Comes Through:Buddhsit Teachings on Awakening to our Natural Intelligence", Shambhala Publications, 2008, de Dzigar Kongtrul-profesor de filosofia na Universidade de Naropa)

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Votos principais de um Bodhisattva


1. não matar, encorajar outros a matar, regozijar ao matar.
2. não roubar ou encorajar outros a roubar.
3. não exercer a má conduta sexual.
4. não mentir, usar palavras falsas, fofocar, mas ter a fala correta.
5. não vender, fazer comércio com bebidas alcoólicas, drogas ou armas.
6. não revelar os defeitos da sangha.
7. não falar mal de outros enquanto se auto afirma.
8. não ser sovina ou abusivo.
9. não guardar raiva ou rancor.
10.não falar mal das três jóias.

O difícil para nós não é necessariamente deixar de matar ou roubar, ou deixar de vender substâncias que façam mal ao outro como o álcool, armas ou drogas.
Mas a mentira, mesmo que pequena, a fofoca, o tom abusivo, o abuso de poder, a raiva e o rancor fazem parte da vida humana, diariamente, semanalmente ou se temos muita sorte mensalmente. Depende do trabalho, das relações, do próprio karma. Todos dentro do Samsara, partilham destas negatividades.
Quando tomamos um voto, o que acontece é que a mente se torna muito mais atenta, este aspecto específico que é o voto se torna muito claro para nós e vemos ele surgir parece que muito mais vezes, como se tivéssemos mais vontade de mentir por exemplo, depois que tomamos o voto! Não temos mais vontade, apenas muito mais atenção direcionada a este aspecto da mente e da fala. Como quando decidimos alugar uma casa, de repente aparecem muitas placas de ´aluga-se`, e em lugares que nunca imaginamos, de fato não há mais placas, mas mais atenção de nossa parte.
Tomar votos é bom para a sociedade, imagine não precisar trancar a porta ou gastar dinheiro com alarmes porque sabemos que aqueles a nossa volta não roubam e não matam. Os animais também sentem esta energia do voto, em centros de retiro no campo, chegam muito perto das pessoas e das casas como se soubessem, aqui tudo bem. Quando temos votos sinceros geramos confiança, bem-estar e paz nos outros seres. Tomar votos requer muita honestidade e constantes upgrades.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Motivação e dedicação

Uma prática Mahayana não é considerada ´completa` sem duas ações, uma no começo e uma no final. A primeira ação é gerar nossa motivação, ou o trazer à mente, o porque de nossa prática, seja ela de dez minutos ou duas horas.
A segunda ação é a dedicação da prática, para paz mundial, a saúde de alguém, à iluminação, por exemplo. Sem a dedicação no final, a prática parece implodir sobre si mesma e morrer ali, sem mais frutos ou energia. Um pouco como receber um Óscar, pegar a estatueta e sair do palco, mudo.
A motivação inicial serve para trazer o que é de benefício para nós, para que seja benefício a todos os seres. Geramos então equanimidade, compaixão, amor, uma correta visão da realidade, a Bodhichitta e tentamos manter nossa mente neste ´trem` durante o percurso da prática.

Tsong Khapa diz:
“Temos que gerar estes pensamentos de motivação antes da sessão de meditação ou puja, mas apenas desenvolver-los não é o suficiente. Devemos manter-los constantes e contínuos durante a prática. Não só isso, como devemos tentar aumentar a motivação o máximo possível. É um erro pensar que já que são práticas preliminares é desnecessário ter uma contínua familiaridade com tais motivações, ou que seja desnecessário trabalhar o tempo todo para que não degenerem, ou que ´enviar` estas motivações no começo já basta.

Também é um erro pensar sobre estes aspectos da prática como migalhas ou meros detalhes que podem ser deixados de lado e ignorados enquanto nos concentramos na prática ´principal`. Pensar de qualquer uma destas maneiras significa não compreender o ponto essencial do caminho. Meditações sem os pensamentos iniciais, e principalmente sem a geração de Bodhichitta se tornam práticas que se parecem com o Dharma mas que não terminam no resultado desejado.

Meditar na Bodhichitta no começo de uma sessão e dedicar todo o mérito em direção à iluminação, com grandes ondas de preces no final da sessão, é na verdade um grande meio hábil (skilful means) que leva o mérito gerado durante a parte principal da prática ao objetivo e o torna inextinguível. Sendo este o caso, devemos estar certos de misturar estes dois aspectos com nossa mente, nunca nos permitindo agir negligentemente ou de qualquer maneira.”

(do livro Life & Teachings of Tsong Kapha, editado por R.Thurman)

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Pratique como se seu cabelo estivesse em chamas


Todos os seres sencientes vagam continuamente pelo sobe e desce da vida, vida após vida. A razão pela qual temos estes problemas é que ainda não conseguimos realizar nosso propósito de vida.
O que é nosso propósito ou missão? No sentido mais básico, todos queremos paz e felicidade e queremos distancia do sofrimento. Embora experienciamos felicidade aqui e alí, não é uma felicidade que desconhece o sofrimento.
Colocamos muito esforço em ter conforto material e além do mais queremos conforto espiritual e mental. Mas mesmo quando achamos que estamos trabalhando por benefícios espirituais, se cavarmos profundamente poderemos descobrir que é simplesmente o apego – o apego por um estado de conforto espiritual ou emocional.

Buscamos um conforto rápido e eficiente. Não chegamos ainda na raiz do sofrimento e nem desenvolvemos a verdadeira causa da felicidade. Quando realizarmos isto, através da reflexão e meditação, poderemos começar a ver a verdadeira natureza do sofrimento e o fim do sofrimento. Daí em diante poderemos tomar a decisão de buscar a verdadeira paz, (a renúncia?) atingir o nirvana ou a iluminação, que quer dizer libertar a nós mesmos e aos outros de todos os sofrimentos e suas causas de uma vez por todas.

Porque não atingimos isto ainda? Porque ainda não percebemos o quão importante esta vida é. Não realizamos a capacidade infinita de nosso corpo humano e o quão difícil é encontrá-lo. Ao invés, nos mantemos ocupados correndo atrás da felicidade vida após vida, e fugindo do sofrimento.
Muitos de nós reclamam “não tenho tempo”, Gelek Rimpoche chama isso uma desculpa ´fina e estilosa`. Muitos gostam de dizer “estou muito ocupado/a” porque querem se sentir importantes. É uma ótima desculpa porque você pode evitar de fazer o que não quer fazer, você se sente importante, e todas as pessoas importantes são ocupadas então você pode se juntar a este grupo.

Gelek Rimpoche se refere a isto como ´Preguiça ocupada`. Temos este tipo de preguiça porque não reconhecemos nossas prioridades verdadeiras. Mesmo se temos tempo, colocamos nossa prática espiritual no fogo de trás. Nosso senso de urgência hoje em dia é monetário porque vivemos em uma época na qual temos que pagar as contas se não, não teremos nem luz e água.
Como praticantes espirituais devemos equilibrar nossas prioridades. Isto quer dizer, equilibrar as necessidades desta vida em particular com nossa meta espiritual. Temos que pagar as contas, cuidar da família e tornar nossa prática espiritual uma prioridade.
Mas para fazer isto devemos nos convencer que esta vida é importante, em algum nível sabemos disto, defendemos nossa vida da morte. Mas, em geral, nos mantemos ocupados resolvendo uma urgência após a outra e isto nos dá a sensação que estamos conseguindo manejar a vida.

Nossa maior riqueza nesta vida é a oportunidade de sermos seres humanos. Temos mentes brilhantes com capacidades extraordinárias, basta olhar para a ciência e tecnologia. Se fizermos o esforço de desenvolver-nos, nossa capacidade será ilimitada. Este é o exemplo que o Buddha e outros seres iluminados deixaram para nós.
Esta vida humana e esta mente são capazes de produzir o efeito que quisermos. Se queremos ser ricos, a vida humana o permite, ser um grande atleta, também, ser famoso idem e assim por diante. Se estamos satisfeitos com o resultado ou não, já é outra coisa, mas a vida humana é capaz de entregar a ´mercadoria`. Do nosso ponto de vista, podemos falhar, mas não será devido a incapacidade da vida humana, será porque não tiramos proveito dela.
Quando realizarmos a importância da vida nos livraremos do apego por gastar o tempo. Coisas que víamos como urgentes começam a ter menos peso, este é um sinal de que estamos começando a compreender.

Esta vida não é um presente, criamos causas maravilhosas para te-lá através de muito karma positivo e de pura moralidade. Devemos reconhecer a preciosidade desta vida, realizar a dificuldade de encontrar-la e a improbabilidade dela se repetir, a não ser que agirmos com pura moralidade e outras virtudes de agora em diante. Já é, quase tarde demais.

Precisamos concluir nossa missão através de uma relação contínua com os mestres, seres sagrados e ensinamentos. Praticando assim, todos os dias, seremos capazes de atingir a iluminação rapidamente. Se levar 3 minutos, que seja 3 minutos, se forem 3 anos, que sejam 3 anos. Mas que não sejam 3 vidas.

(Gelek Rimpoche, revista Buddhadharma, vol. 7)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Elos


"Tudo é uma grande corrente, onde cada elo deve ter qualidade, senão a corrente quebra e o resultado é sofrimento, guerra, conflito." - Marina

Concordo e adicionaria que cada ´elo`, deve ter uma boa intenção para com o outro elo.
O difícil é que os ventos ou furacões do karma as vezes nos levam juntos e só acordamos depois do vendaval. Aí entra a prática de ´Mindfulness` que gerencia a qualidade e intenção a cada momento, com cada elo.

Pensando melhor, a qualidade deve permear a intenção, a vontade, a sabedoria, a compaixão, o amor...direcionado ao outro. Então, se temos muita raiva e apego por exemplo, a qualidade de nossos elos será de acordo com a força destas negatividades. Sendo assim, uma pessoa raivosa pode expressar o seu gerenciamento de qualidade para com o próximo através do grito e não da porrada.

E os elos entre todos os aspectos internos de nossa psique?

(imagen: o ´Mandala do Cosmos` ou ´Cosmos Mandala`)